sábado, 28 de junho de 2008

A Terceira Pessoa - Capítulo VI

Como sempre fui para o colégio. Sexta feira, já não aguentava mais essa rotina.
Como sempre também, todos estavam animados com o final de semana, menos eu, só pra variar. Não sei, acho que tenho a idade errada, não gosto de fazer as mesmas coisas que meus amigos...
"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite... Sábado a noite tudo pode mudar!"
Essa música definitivamente não se aplica a mim. Sou tão quieta, tão pacata... Se deixar, eu fico dormindo o final de semana inteiro!
Mas, a esperança dos meus amigos é a ultima que morre... Então surgiu o convite: Festa no sítio da Dani, no sábado. Churrasco, música alta, bebida, e gente nova.
Não sei porque, isso nunca me agradou, mas como a insistência foi muita, eu fui 'obrigada' a ir.
Cheguei lá, conversando, comendo alguma coisa... Dancei. Mas talvez por eu nunca sair de casa eu crie uma ilusão de que sempre pode acontecer algo magico quando eu saio. E de fato, aconteceu.
Era uma festa para aproximadamente cem pessoas, e no meio dessas noventa e nove pessoas restantes, encontrei uma que se encontrava tão disfarçadamente deslocada quanto eu.
Passei uma noite muito agradável conversando sobre tudo com Pedro e a forma como o conheci foi bem engraçada.
No sítio, havia várias irregularidades no chão, e eu como sou muito inteligente, fui de salto. Bem, estava conversando e de repente, senti necessidade de ir ao banheiro. Logo, saí na busca desse lugar perfeito, que estava se tornando cada vez mais desejado por mim, quando piso em um buraco, e caio de cara no chão na frente dele. A gargalhada que ele soltou foi idêntica a de Miguel, mas na hora não lembrei de gargalhada alguma, só conseguia pensar na minha cara e na minha roupa suja... Ele veio, me ajudou a levantar, se descupou por rir, e me indicou o banheiro. Como ficava em um canto muito escuro do sítio, ele perguntou se eu gostaria que ele me acompanhasse. Então no caminho descobrimos afinidades, e continuamos a conversar depois de eu estar 'aliviada'.
Ele me lembrava alguém, mas não conseguia me recordar de quem. De qualquer forma, deveria ser alguém tão agradável quanto ele.
É tão difícil encontrar alguém da minha idade com a maturidade dele...
Estava tarde, meu pai foi me buscar. Trocamos todos os contatos possíveis, e fui embora. Foi tão bom ter ido a essa festa.
Cheguei em casa, tomei banho, e fui me deitar. Mais uma vez, começaria minha visita ao meu amigo Miguel.
Porém, aconteceu algo que eu não esperava: não sonhei com Miguel! Fiquei sozinha nos meus sonhos, perambulando de um lado para o outro... Foi ruim, precisava contar pra ele da festa, do Pedro, do tombo, de tudo!
Dormi mal, acordei cedo. Aproveitei o domingo para estudar, por as coisas em dia e de noite, meu telefone toca.
- Alô?
- Boa noite, a Bia está, por favor?
- Sou eu! Quem é?
- Oi! É o Pedro...
E conversamos durante umas duas horas. É incrível minha identificação com ele, nos conhecemos há tão pouco tempo, e já temos tanto o que falar. É bom poder se entregar à uma amizade assim, está cada vez mais raro achar pessoas que tenham esse desprendimento.
Já era tarde quando resolvemos desligar, fui dormir. Por mais que tivesse arranjado um novo amigo, sentia falta de Miguel. Por isso, antes de dormir, me concentrei nele. Já ouvi dizer que quando se pensa muito em algo, ou alguém antes de dormir, acabamos sonhando com isso.
O sonho? No próximo post eu conto ;)

2 comentários:

Anônimo disse...

Olha só quem ressuscitou!

Tomar bolo de um sonho é foda =p

Anônimo disse...

Mandar um monte de gente aos caralhos não é exatamente uma demonstração de amizade heheheh